domingo, 16 de fevereiro de 2014

Meteorologia interna

Fazia muito tempo que não chovia, com todas as suas mazelas, os problemas de saúde associados, o dilema de regar ou não as plantas diante do gasto d´água, os alertas de economia diante dos reservatórios abaixo dos níveis desejáveis.

Alarmante situação externa, internamente a casa tinha um clima diferente, ou melhor, indiferente. As janelas abertas permitiam a ventilação, os tijolos antigos das paredes favoreciam o isolamento térmico, a área alta e arborizada permitia uma situação climática privilegiada.

E então começou a chover, muito mesmo, o volume de água assustador, com suas faltas de energia associadas, trovões de abalar o solo, violenta resposta de uma natureza sedenta de água. No lugar de plantas esturricadas, plantas afogadas. Dentro da casa, janelas fechadas, exceto pela falta de energia, nenhum efeito maior.

Acabada a chuva, o alívio das plantas, da poluição e da saúde geral. Mas nesse momento, dentro de casa, começou a chover, primeiro pelo lustre mais perto da porta, depois passando para o seguinte, um após outro o lustre chovia. E lá fora? Nenhuma gota.

A água aumentando nos lustres, baldes por todos os lados, pontos brilhantes começaram a aparecer no teto para depois despencarem. De gotas fixadas passaram a ser pontos de vertentes de água, espalhadas pelo ambiente.

Resultado: redecoração definida pelo acúmulo de água, móveis espalhados não pela ordem estética mas pela funcional.De um problema de falta de chuva ao transbordamento da calha, seguida da inundação interna, problemas na parte elétrica, ordem de dominós que vão caindo. Lá fora, o sol começa a abrir.

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