segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Adega

Ele queria tudo perfeito para a adega, profundidade e paz para as suas garrafas. O arquiteto estranhou que ele quisesse gavetas fechadas profundas e de nada adiantou argumentar.

Ele sabia que teria que cavar com cuidado, contratou uma pessoa para fazer cálculos precisos e sustentação correta para não abalar os alicerces da casa.

Pensou no isolamento, no tipo de pedra que queria, procurando e escolhendo até mesmo o sentido dos veios das pedras no momento da colocação, como um quebra cabeça prazeiroso a ser desenvolvido com cuidado e dedicação.

O engraçado é que ninguém o ouvia falar dos vinhos propriamente ditos, apenas do local, dos itens particulares que inventava de iluminação, da inclinação da escada, do tamanho exato das tais gavetas, que ele explicou serem mais práticas para organizar os tipos de vinho e aproveitarem o espaço.

Um cliente exigente demais, detalhista, cordial e que pagava bem, muito bem para uma simples adega! Nunca ele poderia imaginar que estava ajudando um serial killer a construir a sua catacumba particular.

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