quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Castelo

Todos no bairro conhecem o castelinho, um sonho que desafia os racionais e abre passagem para um tipo de pessoa que persegue o seu sonho a qualquer preço. Pode-se chamar de romântico, mas muitos outros partem logo para a alcunha de louco.

O fato é que o lar de uma pessoa sempre é o seu castelo e essa afirmação foi levada ao extremo por essa pessoa (o romântico ou o louco, podem escolher).

A esquina no alto, a obra começada, a vizinhança foi aos poucos acompanhando o surgimento de uma forma arredondada ao lado da casa, forma que foi ficando nítida aos poucos, já que a reforma era levada a passos vagarosos.

As crianças foram as primeiras a perceber que tinha algo diferente naquela casa. As janelas compridas e estreitas, a torre subindo, as pedras na fachada. Os elementos compondo a cada passo a forma do castelo de contos de fadas.

Aquele mesmo, só que em tamanho reduzido, compacto. E o dono entrava e saía, compondo o cenário, com direito a fonte de pedra no pequeno pátio, grades de ferro trabalhadas garimpadas em demolições.

E o tempo passando, a torre se delineando no sol de verão, misteriosa na bruma da manhã, melancólica nos dias chuvosos. Progressos tão vagarosos que a surpresa inicial foi se apagando, dando lugar a uma constatação simples de existência.

“Passe o castelinho e entre à direita”, uma simples referência. “Você percebeu que é como um castelo na cidade”, dos novatos do bairro. “Como não percebi que a torre está quase terminada?”, dos que descrentes do final da obra que tinham parado de olhar. Mas ele tinha chegado lá. A torre estava pronta e estava na hora de subir e dar a primeira olhada lá de cima. Esperou os pedreiros irem embora, não queria plateia. Era o seu momento de glória.

Subiu as escadas saboreando cada construção da torre, abre a porta e encontra a degrau, impressionado como a pedra tinha abafado todo o ruído externo e ele não ouvia mais os carros passando na rua.

Parou no final da escada, abriu a porta do pequeno cômodo, segurou a respiração e andou em direção à janela. Lá de cima, viu a princesa prisioneira, e um duelo prestes a começar no pátio do castelo.

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